segunda-feira, janeiro 08, 2007

Rádio-depressão

Já não vinha muito animada na viagem para cá, como disse no texto anterior. Ainda vinha também a remoer uma situação do dia anterior e logo o Forum TSF se junta à festa bem desanimada dos meus pensamentos.
Passo a explicar: por razões profissionais, um tio meu esteve 10 anos emigrado no Brasil, preparando para breve o seu regresso definitivo a Portugal. Por causa do afastamento, mas não só, a verdade é que se tornou uma presença cada vez mais estranha nos convívios familiares e, embora, não duvidando do amor deles pelos pais (os meus avós), a verdade é que no tempo em que está em Portugal não os procura por aí além.
O meu outro tio, também por razões profissionais, vê-se obrigado a emigrar para Angola muito em breve. Ou seja, vem um filho, parte o outro, sempre mais presente na vida dos meus avós, como é natural. Claro que os meus avós andam infelicíssimos e muito preocupados, e face à idade e condição de saúde, sobretudo do meu avô, os pensamentos deles já quase só se focalizam que se calhar não volta a ver nenhum dos filhos, agora que eles partem para longe...(foge, lagrimita...!). Andam mesmo acabrunhados, e como o meu tio "brasileiro" vai amanhã para o último semestre no Brasil e o outro deve partir dentro de 1 mês, os meus avós insistiram em fazer um almoço, ontem, para reunir toda a família antes de se separarem. Todos aceitaram, e seria prevísivel uma tarde de convívio familiar lá em casa, já que a razão do almoço não foi escondida. Pois os meus tios do Brasil foram os últimos a chegar, e os primeiros a partir, pouco tendo convivido no tempo de pausa após o almoço, "que os meninos estavam cansados e ainda tinham de ir estudar" "e que não podiam ficar mto tempo"...Caraças! dá-se a minha avó a toda a trabalheira e eles nem sequer se sentam um pouco com ela no sofá?? e os meninos serão doentinhos por acaso para estarem tão cansados e não poderem adiar os trabalhos de casa uma hora ou duas?? fiquei zangada pela tristeza que nitidamente causaram aos meus avós e pelo mal-estar que causam em quem repara nestas coisas.
Hoje já no carro, vinha a ouvir a TSF, fosto de ouvir alguns temas do Forum, e este era precisamente sobre a velhice e condições para tratar / acolher os nossos velhos... e é de ficar entristecida pelo abandono, violência e desprezo a que são votados... algumas histórias que se ouvem são de arrepiar... Sei que às vezes são "mázinha" para os meus pais, e sinceramente, não sei o que conseguirei ou não um dia fazer se tiver de os acolher na sua velhice ou doença...mas angustia-me o que ouvi e o que se passa na nossa velhice. Até parece que nos esquecemos que se chegarmos a velhos será também esse tratamento que receberemos porque não soubemos dar melhor exemplo às gerações mais novas...
Sei que há bons exemplos, há sempre casos mais felizes, mas são tão tristemente suplantados pelos mais desgraçados...

straigh out of line...

É um facto. Custa-me imenso sair da cama e de casa às segundas-feiras para me vir aqui enfiar. Se ainda ao menos o ambiente fosse bom...mas não..nada ajuda. São as merdas dos bosses por um lado e o ambiente, às vezes, intragável em torno do funcionamento do hotel e entre colegas... ando a ver se arranjo motivação..mas não está fácil!!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ano novo...

Sabem o que é, durante o dia, em vários momentos, pensarem em várias coisas que gostariam de pôr por escrito mas depois nunca têm oportunidade para o fazer, e quando o têm já não se lembram minimamente do que vos apetecia registar?? Tenho andado assim. Ainda agora, sentei aqui com vontade de escrever um pouco... e por outro lado, já tenho duas ou três janelas de trabalho abertas. À noite, no quarto, não me tem apetecido, além de não ter tido acesso à net...Trouxe dois filmes para ver, mas tb não me apeteceu. Soube-me melhor ficar deitadinha a ler. Noto a minha inquietação em pormenores como estes, mas também noutros como não me apetecer por os meus queridos creminhos na cara e corpo..pormenores pequenos, mas que já conheço e sei que me acompanham em momentos menos relaxados.
Mas esta semana cumpri com uma determinação que se andava a afirmar há uns tempos. Fui nadar uma hora! Pois, não parece grande feito, não é? Mas para mim foi, que conheço bem a minha inércia, e sobretudo, a sensação de "desligamento" que me anda a invadir. De modo, que falei a várias pessoas do que andava a pensar fazer e na 3ªfeira lá fui nadar uma horinha no final do dia. Soube bem. Preferia que estivesse menos gente na piscina, mas mesmo assim gostei. Sentir o corpo a deslizar na água a compasso dos meus movimentos e ritmo calmo. Foi bom chegar ao fim levemente cansada e sentir os músculos dos braços doridos no dia seguinte. Para a semana é certo que vou voltar. O meu corpo e cabeça precisam disto.
Esta semana andei perturbada. Sonhei uma noite inteira com e várias vezes por dia veio-me à cabeça a minha amiga Martinha, cuja mente fugiu para um mundo só dela há já dois anos, talvez mais... foi estranho, sonhei que algo estranho se passava com ela. A sensação de incómodo ainda não me abandonou por completo e dei por mim a lamentar ter tentado entrar tão poucas vezes em contacto com ela ou com a família dela para saber dela, refugiando-me sempre atrás das informações que a A. vai obtendo. Invadiu-me tristeza por ela e remorso por não ter feito mais.
Em relação ao fim de um ano e início de outro não sou de fazer balanços...a vida é um continuum e não é mudança de uma data que vai alterar as coisas. No entanto, entro neste ano determinada a mudar de emprego..trabalhar para quem não se confia e onde não se tem mais futuro não dá . E com essa mudança de emprego, outras mudanças de vida bem sérias se colocam. Por isso, sei que este ano será de facto, um ano de modificações ou de preparação para elas. Espero saber tomar as decisões certas e estar à altura do que me proponho a fazer. Essa é a minha determinação para este ano.
Aproveito para desejar a todos que cá passam um óptimo ano de 2007!

terça-feira, janeiro 02, 2007

Hoje custou.me muito vir para o hotel. Nada a ver com falta de disposição, mas mesmo com sono a interferir na condução. Optei por vir por uma estrada diferente e fazer uma pequena paragem para despertar os sentidos.
Ontem deitei-me com uma sensação de irrealidade...depois de um fds acompanhada, preparava-me para adormecer sozinha, em silêncio..e apenas pensava: vou adormecer e amanhã vou acordar para um novo mundo...vou deixar minha casa, meu espaços, minhas ruas e ambientes conhecidos, e voltar a passar dias áridos e cansativos no hotel, em que a vontade de trabalhar anda nos mínimos, embora faça o que me compete, onde a toda a hora se ouvem maledicências... até já me afasto para não ter de ouvir todas as m****s. Mas perturbou-me mesmo a sensação de que quando venho para aqui é como se saísse da realidade e só voltasse no final da semana. E cada vez mais sinto mais isso... o "despegamento" entre o cá e o lá.. Chega ao fds e é que me sinto eu. Ainda para mais um fds preenchido como este e o anterior...Sinto cada vez mais necessidade de ficar por lá, de me estabilizar perto de quem gosto... Começo a acusar esta solidão desconfortável.
No fds soube-me bem aproveitar bem o tempo na minha casinha, fazer montes de coisinhas boas para a refeição, ir às compras, passear, rir e conversar, ser cúmplice... sentir a aceitação daqueles que gosto em relação à minha vida... muito bom mesmo...